No início dos anos vinte, surgem as primeiras provas automobilísticas, de motos e automóveis, organizadas pelos pioneiros deste desporto de onde se destaca como organizador principal o Sporting Clube de Lourenço Marques.

Estas manifestações desportivas tinham como concorrentes os automobilistas da cidade e eram compostas na sua maioria por provas de motos, gincanas, provas de perícia, destacando-se a famosa rampa da Polana realizada pela primeira vez em 1927 e mais tarde, ainda neste ano, o Quilómetro de arranque, contenda mais purista de velocidade.

Na década de trinta, apesar das realizações do Sporting Clube de Lourenço de Marques, assistiu-se a um declínio nas provas automobilísticas, sendo de realçar a introdução de provas entre localidades, com o objectivo de estabelecer records, sendo a mais importante a “Corrida Lourenço Marques – Johannesburg”.

A década de quarenta é um marco no desenvolvimento do desporto motorizado. Apesar de na primeira metade desta década não haver realizações devido à 2a Guerra Mundial, é nos anos quarenta que surgem os “circuitos” citadinos, maioritariamente organizados na Av. Da República, actual 25 de Setembro, as provas de velocidade aí disputadas, a aparição de uma geração de pilotos moçambicanos que muito se destacou não só no volante como na construção de veículos especiais para a prática de corridas e a participação de corredores estrangeiros sul africanos e rodesianos, muito bem equipados.

 

É também nesta década que é fundado o “Auto Clube de Moçambique” que além da vertente desportiva começou a colaborar intensamente com as autoridades para a organização das “Festas da Cidade”, e que desde o primeiro dia teve como desígnio o trabalho em prol do desenvolvimento do turismo em Moçambique.

 

Os anos cinquenta são a consolidação e a afirmação do “Auto Clube de Moçambique” que por imposição do “Automóvel Clube de Portugal” passou a designar-se por “Automóvel e Touring Clube de Moçambique”.

É nesta década que o ATCM se expande para todo o território com a abertura de delegações em diversas cidades, com especial atenção no desenvolvimento da área de turismo, a escola de condução e assistência rodoviária com todas as suas vertentes, papel que o ATCM tão bem e orgulhosamente desempenhou.

 

Consolida-se indiscutivelmente como o principal organizador de provas automobilísticas, com destaque para as provas internacionais, os novos regulamentos desportivos que agrupam as viaturas em categorias e as subdividem em classes divididas por cilindrada fazem surgir novos pilotos locais mais bem equipados com carros de “sport” que disputam a par dos pilotos estrangeiros os lugares cimeiros das provas já conhecidas internacionalmente. Aparece uma nova modalidade , os “Rallys”, dos quais se distingue o afamado “Rally Pretória – Lourenço Marques” que ficou conhecido a nível mundial, organizado em estreita colaboração entre o “Pretória Motor Club” e o ATCM. Curiosamente, mais tarde, por força do patrocinador principal, este evento passou a designar-se pelo “Rally Total”.

 

Os anos sessenta, trazem a inauguração da sede do ATCM, a publicação da sua revista, muito apreciada e de inestimável valor para os automobilistas moçambicanos.

 

São também o culminar do sonho de todos os “laurentinos”. A construção do autódromo da Costa do Sol, o primeiro do espaço português. Este autódromo que foi inaugurado em Julho de 1962, na sua primeira versão com a recta principal na estrada da marginal, foi palco de grandes realizações quer nacionais e internacionais, distinguindo-se entre outras as provas de Fórmula 1 e as de resistência como as “3 horas de Lourenço Marques” que contavam para um campeonato regional conhecido como “Springbok Series” e que à capital moçambicana trouxeram o que havia de melhor não só em termos de automóveis como de pilotos de nível mundial.

É também o surgir de outro rally que rapidamente se internacionalizou e que se tornou referência de entre os rallys do continente africano. O Rally do BNU.

Nasce no ATCM outra categoria de automobilismo e que muito haveria de dar que falar. O fenómeno “Karting”.

Reaparece e em grade força, o motociclismo, que tinha estado “desaparecido”.

Em 1970, é inaugurada a segunda versão do autódromo do ATCM, com a implementação da recta principal no interior do seu terreno, ficando a partir daí a ser um circuito fechado, possibilitando a realização das provas sem haver a necessidade de se interromper o fluxo normal de trânsito na estrada marginal.

 

 

É a época de consolidação do “motocross”, passando o autódromo a contar no seu interior com uma pista inteiramente dedicada à modalidade.

A “Crise do Petróleo”, em meados 1973, que afectou o automobilismo a nível mundial, dita a interdição de parte das provas automobilísticas, realizando-se só os rallys de caracter internacional devido aos compromissos assinados.

Com a “Revolução dos Cravos”, recomeça timidamente a aparecer o desporto motorizado com especial destaque para as “Jornadas de Promoção” que fizeram nascer outros ases do volante que se empenharam na melhoria das suas máquinas e que deram azo a grandes realizações automobilísticas, que muita festa trouxeram novamente ao autódromo da Costa do Sol, para a satisfação das multidões que para ali se dirigiam para ver os seus ídolos.

Em 1978, por determinação governamental, foram proibidas as provas automobilísticas.

 

Em meados de oitenta, um grande entusiasta do desporto motorizado, António Marques, resolve perseguir um sonho. O da reactivação do ATCM. Foram muitas horas de trabalho, muitas reuniões que tiveram o seu fruto. O do renascimento desta grande instituição que é o Automóvel e Touring Clube de Moçambique.

O primeiro evento de desporto motorizado, desta nova era, realiza-se em Junho de 1990.

A partir daí, foi o longo caminho que fez com que em 1991 se realizasse a primeira formação de comissários de pista e oficiais de prova, numa nítida demonstração de modernização e de acompanhar as novas regras do desporto automóvel que a nível de segurança tinham mudado radicalmente.

Em 1992 realiza-se com sucesso o “Campeonato de Velocidade da Cidade de Maputo”, surgem as provas de “motocross” na pista, acontece uma prova internacional com regresso da conhecida “Fórmula V” e reaparece o “Karting”.

 

 

 

1993 traz a terceira versão do autódromo, com a construção de uma “chicane” na recta principal, alteração da entrada das boxes, construção de um muro de protecção, introdução de cronometragem electronica, a instalação de semáforos para a partida e circulação no pit-lane e ainda o asfaltar de um perímetro na área das boxes que permite o traçado de um kartódromo, o primeiro em Moçambique, e que foi de crucial importância para o desenvolvimento da modalidade, em que alguns pilotos tão bem se impuseram a nível internacional.

 

 

Com 1994, surge o primeiro troféu monomarca em Moçambique, e realiza-se um campeonato de velocidade que trouxe ao autódromo viaturas de grande nível competitivo e desenvolvimento técnico e o ressurgir do Rally Clássico “Pretória-Maputo”.

 

As provas de velocidade continuam a acontecer, o karting na sua máxima força, e 1997, faz acontecer um grande evento internacional. A realização das “Duas horas e meia de Maputo”, prova que contou para o campeonato sul africano da categoria.

Em 2001, por politica da então Direcção, traçam-se novos caminhos para o ATCM. O autódromo é interrompido para o desenho de um novo traçado que acomodasse os novos investimentos imobiliários que no seu terreno iriam surgir.

O ATCM passa a ser membro de pleno direito da FIA, aposta na formação, e em finais da década é inaugurado um novo kartódromo com standards internacionais, tendo inclusivamente enviado pilotos a participarem em eventos de carácter mundial.

O atraso constante nas obras de desenvolvimento do autódromo cria um hiato nas provas de velocidade que retornam ao autódromo em Novembro de 2019.

Os surgimentos de novas modalidades sancionadas pela FIA impõem que o ATCM se actualize constantemente, fazendo também da formação uma verdadeira aposta.

 

Maputo, Junho de 2020

História retratada pelo
Sócio Manuel Arnaldo da Silva